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' Mulheres, Malditas Maravilhas '

- "Ela tem uma ótima conversa. Sabe trocar ideias sobre sexo sem pudor nenhum - mesmo sem parecer muito depravada ou coisa assim. Fala de política, religião, sabores de pizza e de viagens inesquecíveis. Mas, vez em quando, não irá falar nada-com-nada, dará meio segundo de silêncio e vai dizer: "Então, é isso", como se essa frase besta fosse explicar algo sem sentido. E eu fico pensando: "então-é-isso-o-quê?". Sério, ela me bagunça."

- E até quando não puder ♥

"(...) Como te encontrar assim numa quinta e ter a certeza que desde domingo, eu já sonhava alguém como você. E te esperar chegar do trabalho, fazer hora numa livraria qualquer e ficar imaginando quais livros você leu na infância. Comprar livros novos para você, também. Te dedicar "Secret Garden", do Bruce Springsteen, e os dias de sol. Nos dias de chuva, sorrir do teu péssimo hábito de não levar blusa pra lugar nenhum e dessas suas bermudas surradas e horríveis, mas tuas. Lindas, sendo assim. Sentar em qualquer lugar quando quisermos conversar sobre o dia... Ver teus olhos fechados e teu sorriso-sem-mostrar-os-dentes enquanto a fumaça da água fervendo toma conta do banheiro. Brincar de escrever nossos nomes no espelho, nos cadernos, nas árvores e em nossos corpos. Com-hidrocor-vermelho. Rabiscar você em meu destino. Casar com você sempre que for sexta-feira. Fazer de todos os dias uma nova sexta-feira, mas eternas segundas-tristes quando não estamos lado a lado. Dividir...

- EU NÃO CONFIO EM VOCÊ ♥

Digo isso tudo porque não acredito em você. Quer dizer, acredito, mas não confio. É, acho que é isso, não confio em você, mas não é por mal. Não confio porque é assim que eu sou, porque é minha defesa, é meu jeito de me ferir menos, de levantar mais rápido, de ser forte. Não confio em você e também não confio nos outros, nem nos que dizem confiar em mim. Eu não confio em ninguém. Mas nosso caso não é uma questão de confiança, acima de tudo. Mesmo que confiasse, um pouco, talvez, ainda assim, diria o mesmo. Não confio em ninguém, mas se fosse dar minha vida na mão de alguém, ou dividir minha existência entre muitas pessoas, ainda assim, não daria nenhum pedaço a você. Nenhuma lasca ínfima sequer. Não confio em quem me amedronta e não dou o braço para dizer que isso acontece. Mas com você acontece o tempo todo. Acontece porque toda conversa começa com uma espécie de domínio da minha opinião e voz sobre a sua, que assume uma postura estranha de ingenuidade, de inferioridade falsa. Quase...

E se?

E se tudo isso for apenas uma maneira simples de sairmos da vida um do outro? Mas, e se for a maneira apropriada de ficarmos juntos, de uma vez por todas? E, se, esse tempo, essa falta de contato for imprescindível para um bom futuro? Quem sabe? Quem explica? O que fazer? Vai, responde pra mim. Não sabe né? E porque eu tenho que saber? Porque tenho que explicar? Porque temos que brigar para por tudo em pratos limpos? São muitas perguntas não? então vamos lá, as respostas... O problema não é você e muito menos eu, são os fatos, é tudo que acontece embaixo de nossos olhos e simplesmente deixamos pra lá. Você me deixou quando eu mais te queria, sim! Eu te queria inteiramente pra mim, egoistamente, justamente, só pra mim. Porque é isso que você é, MEU. Você abriu uma brecha que não deveria ter sido aberta, e destruiu o meu coração. Juro que eu não queria que fosse assim, mas aconteceu, pessoas surgem em nossas vidas. Pessoas tão especiais e tão diferentes de você, mas, ainda sim, você é o ...

- Sai de fininho ♥

Eu realmente precisava ir, e só saí antes da hora porque queria levar comigo somente as lembranças imaculadas do nosso auge e sabia que só assim conseguiria fazer com que nosso caso durasse para sempre. Eu saí de fininho naquela noite, pois não queria esperar mais e correr o risco de presenciar a natural decadência de nossa gana incontrolável. Eu saí antes que nossos beijos infinitos virassem apenas selinhos apressados, sem gosto, presença de língua ou demonstração de fome. Eu saí antes que faltasse conversa em nossos passeios de domingo e antes que o volume do som do carro não fosse mais diminuído para que pudéssemos ouvir o som de nossas vozes. Saí antes de virarmos rotina, silêncio irreversível, acomodação covarde e pena um do outro. Eu saí morrendo de vontade de continuar ali, com meu pé encostado no seu e meu braço dormente debaixo de seu pescoço, mas sabia que precisava ir enquanto ainda havia tempo para congelar aquele sonho, perfeito como só ele foi. Confissões de um Cafamânti...