segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

- Deixa? ♥

Deixa eu ser teu cabelo cativa! Não sei como você vê isso, mas não penso estar pedindo muito. Deixa eu te ocupar a noite toda, essas madrugadas de sábado quando não tem nada bom para fazer ou quando simplesmente não se quer sair de casa por preguiça. Posso ficar com você, ou te trazer pra ficar comigo. Te ofereço meus ouvidos pros teus problemas ou pras tuas loucuras, que eu sei que são muitas. Te ofereço meu braço pra apoiar tua cabeça, meu peito pra apoiar a tua mão e meu cabelo para você olhar quando quiser ter certeza de que está com uma mulher. Porque está em falta, hoje em dia, mulher de verdade. Mas caso a horizontal te dê preguiça, posso cantar pra você entre um round e outro. Faço uma música falando desse teu olhar incisivo, do seu corpo rico em elogios e pobre de pudor. Você sem roupa é pura pornografia. Mas faço um poema sobre a tua boca, se preferir algo mais intimista. Só não corto o cabelo, porque sei que sem isso não tenho chance alguma. Mas não me leve a mal. Não é amor, nem sei se é paixão, é só uma distração saudável para quando você estiver por aqui (ou eu por ai,rs), passando um tempo de bobeira, só pra visitar. É coisa pouca. Come uma pizza, vê um filme e depois me liga como quem não quer nada, perguntando se meu cabelo está fazendo alguma coisa e me chamando pra me juntar ao seu ócio doméstico. Aí a gente apaga as luzes e você vai com esse teu jeito de homem livre largando as roupas pelo caminho da porta até o quarto. Vai andando com aquele olhar malicioso por cima dos meus ombros, comigo meio na ponta dos pés, e eu vou, com o meu cabelo, seguindo teu perfume pra te cobrir de noite. Não seria capaz de oferecer meu cabelo de dia. Nem mesmo sabendo desse teu jeito de roçar no meu pescoço e do arrepio que me causa no corpo inteiro. Acho que funciona com todo homem, mas com você parece tão mais elétrico, tão mais intenso. Quero ser tua primeira opção nessas ocasiões, nessas noites em que, por mais que exista toda torta holandesa do mundo, nada vai te deixar mais satisfeito e feliz do que uma mina para bagunçar a tua cama. Já sei da tua liberdade, do teu senso de individualidade e de tudo que você gosta de demonstrar para deixar claro que não se prende. Pois saiba que não estou vendendo o meu cabelo, nem alugando, se é o que parece. Estou propondo uma troca de vantagens iguais. Te ofereço meu cabelo enquanto você me oferece teu corpo, e te prometo não ir embora até que você esteja satisfeito de me ter. Não só a mim, mas de ter minha companhia, a presença de alguém no teu quarto, a presença de alguém na tua vida, mesmo que por poucas horas. Mas te juro: não tenho muitas exigências. Sei bem da tua selvageria e tara por contatos íntimos e intensos, mas duvido bastante que você não seja como a maioria dos homens. Mesmo no seu melhor estilo único e canibal, ainda acho que uma noite dormindo de conchinha, um bom dia com beijo na testa e um suco de laranja em copo de vidro te ganham. Por dentro desse lindo ninfomaníaco adorador da solteirisse eu ainda vejo um ser que prefere mais o contato e a experiência do que o rótulo e o compromisso. Por isso digo que quero ser teu cabelo cativa. Não quero teu amor, nem teu tempo. Não quero tua cobrança, nem tua devoção, nem mesmo sua preocupação com a minha saúde, ou meu futuro. Quero tua presença, tua voz, teu corpo, teu cio, teu desejo infinito e depois de tudo vou querer o caminho da rua, a porta da casa aberta, o teu corpinho gostoso e sexy jogado em um lençol verde e amassado olhando pra mim com duas cervejas na mão, e depois de tudo isso, quero teu sorrisinho cínico na porta dizendo “foi bom te ver!” Foi bom te “ter” seria a frase certa. Ter a mim e ao meu cabelo, que depois vai esperar muito tempo até o telefone tocar e ser questionada se tem programa. Meu cabelo estará sempre de bobeira por ai, ou vendo TV. Ao menos sempre que for você ligando pra ele.

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